1000 Graus Centígrados - Carlos Eduardo Taddeo | Letra da Música

1000 Graus Centígrados - Carlos Eduardo Taddeo

Letras de A - Z, de diversos estilos musicais

1000 Graus Centígrados - Carlos Eduardo Taddeo - Letra






Quando invadi o terreno tive um mau pressentimento
Não teve bomba de efeito moral e cão de guarda mordendo
Foda-se se a área não cumpre sua função social
No final expulsão brutal com aval judicial
Cuzão que abandona o bem sonega Iptu
Banca o passeio do judiciário de Kaiak, Honolulu
Enquanto fincava caibro e martelava prego
Observava os olhares insatisfeitos nos prédios
Mais indigesto que prisão é barraco na vizinhança
Dobra o seguro do Jaguar, infla o aparato de segurança
O nobre aceita epidemia de Gripe Suína
Mas não a classe ocupando sua quinta avenida
Pra associação de morador melhor que abaixo assinado
É Prefeito de cúmplice em plano incendiário
Preferem destruir terminações nervosas sensitivas
Do que cobrar investimento em moradia
Com a verba de 50 mil pra vaga em presídio
Eu teria uma casa popular no mínimo
Os que se chocam com Major aposentado metralhado
Aprovam a modalidade Brasilis de holocausto
A pena pra líquido inflamável em compensado e pele
É cruzeiro com Rei, aposta em Punta del Este
Pior do que o previsto o meu CEP caiu no bingo
Onde reprovado da Caixa torra em 1.000 graus centígrados

São Paulo em chamas, São Paulo em chamas
Respire fundo ar impuro com cinzas de carne humana
São Paulo em chamas, São Paulo em chamas
Onde o forno da cobiça crema uma favela por semana
São Paulo em chamas, São Paulo em chamas
Respire fundo ar impuro com cinzas de carne humana
São Paulo em chamas, São Paulo em chamas
Onde o forno da cobiça crema uma favela por semana

No passado fogo protegia do Inverno gelado
No presente levanta Shopping em espaço cobiçado
O mercado imobiliário faz Nero sair do armário
Pra congestionar de macas setores de queimados
Soube do incêndio criminoso instalando Net
Na hora lembrei dos pivete trancado por falta de creche
Quis catar a diretora da habitação e degolar
A que falou que SP é pra quem pode pagar
Se pá no Bombeiro já ordenou o comandante
Esperar virar fornalha pra sair com carro-tanque
O senhor Barack Obama devia autorizar
Uma lança de Neptuno contra terrorista da classe A
já selou com os Blackhawk no Jardim América
Depois jogando no rio os rivais das favelas
Chego e vejo apontado pelos lombroso como ladrão
No mutirão que passa balde de mão em mão
A mensagem na fumaça que é Ong da playboyzada
Vai lucrar casa automatizada que acende luz com palmas
São mais falsos que os votos de bom ano novo
Vendido pelos sórdidos sorrisos da Band, Globo
Que escondem o Luciano Hulk fã do Capitão Nascimento
Um Boris que odeia gari varrendo chão de cimento
Os Presidentes vão brincar de minha casa minha vida
Até um ser pendurado sem a língua e mandíbula

São Paulo em chamas, São Paulo em chamas
Respire fundo ar impuro com cinzas de carne humana
São Paulo em chamas, São Paulo em chamas
Onde o forno da cobiça crema uma favela por semana
São Paulo em chamas, São Paulo em chamas
Respire fundo ar impuro com cinzas de carne humana
São Paulo em chamas, São Paulo em chamas
Onde o forno da cobiça crema uma favela por semana

O País enlutado por Santa Maria no noticiário
Não se comove com as chamas no assentamento precário
Meu alívio é saber que a labareda que dobra finança
Gera Richthofen se esfaqueando por herança
O calcinador de barraco, evolução nua e crua
Do estudante da facul que queima morador de rua
Pro novo Camélia branco é pouco, Adelaide do Zorra Total
Ele tem que assar as vítimas do linchamento moral
Progresso não é plagiar costume vietnamita
Ser obrigado a apelar pra carne de cachorro frita
Não é vender seus filhos numa estrada
Nem recolher sobras de suas carcaças carbonizadas
Como esperado a imprensa faz a cobertura amarronzada
Fatalidade é a linha adotada
Deviam denunciar que a corja dos endinheirados
Que incinera 4 favelas por mês em São Paulo
Que a Elite tem o pior tribunal clandestino
Que condena ao forno crianças, negros e nordestinos
Já tinha perdido a voz de chamar por seus nomes
Quando o mano consternado diz: "Seja forte homem"
No rescaldo seus meninos foram encontrados
Morreram em baixo da cama asfixiados e abraçados
Nem me recordo da cerimônia de despedida
Só de acordar amarrado nessa ala de psiquiatria

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